|
|
Copa da Cultura:
Brasil na Alemanha 2006
Alemanha no Brasil 2006/2007
Susi Cantarino inaugura exposição na Alemanha
Mostra, que tem a tolerância como tema, reúne 75 obras da artista plástica
A arte serva para transcender. Pelo olhar, ela tem que atingir o intelecto. É dessa premissa que parte a artista plástica argentina (radicada no Brasil) Susi Cantarino, que abre no dia 29 de março, na Alemanha, a exposição "Susi Sielski Cantarino - Anima". A mostra - que ocupou o Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro, de outubro de 2005 a janeiro de 2006 - ficará no Museum Joudengasse, em Frankfurt, até 14 de maio, reunindo 75 obras feitas a partir da memória de família. Lembranças estas que, mesmo na dor, revelaram um pouco da candura do ser humano. A exposição, que tem como tema a tolerância, integra a programação da Copa da Cultura, programa de intercâmbio cultural entre Brasil e Alemanha lançado pelo Ministério da Cultura com os objetivos de intensificar as relações entre os dois países, divulgar a "Marca Brasil" e reforçar a imagem do país no exterior no ano da Copa do Mundo.
“Os trabalhos que compõem "Anima" começaram a ser produzidos em 2004, quando Susi recebeu da mãe, que mora em Tel Aviv, pertences do avô da artista, Ferdinand Levi. Ele foi oficial alemão condecorado com a cruz de ferro na Primeira Guerra Mundial, mas isso não foi suficiente para livrá-lo de passar quatro anos no campo de concentração Theresienstadt durante a Segunda. O que chamou a atenção da artista foi o forro da estrela de Davi amarela feita de tecido, usada para identificar os judeus na Alemanha nazista: no avesso, seu avô bordou algumas flores. "Não era um fofo? Mesmo num momento daquele, ele manteve sua doçura. Então eu quis mostrar que a delicadeza humana é possível mesmo em um ambiente tão terrível", conta. Em outubro, a exposição segue para o Palais Royale, em Paris.
Para compor suas peças, Susi Sielski Cantarino usa diversos materiais e suportes - sacos de aninhagem cheios de terra e bordados com cristais Swarokski, quadros com colagem de jornais e pintura em papel japonês, bambus cobertos de jornais e gaze pintados, e fotografias. A exposição inclui, ainda, três instalações. A primeira é um conjunto de sete malas trabalhadas pela artista no formato 60cm x 45cm x 12cm, o único permitido aos prisioneiros levarem para o campo de concentração. Há também um varal com envelopes transparentes pendurados contendo mechas de cabelos da artista, recortados em diversas idades, desde a infância. As mechas formam desenhos diferenciados.
A última promete ser a mais impactante de todas. Uma imensa suástica, no formato 2m x 2m, formada por 1.933 facas de aço fincadas na madeira. As facas foram criadas para Susi pelo marido, o arquiteto Ricardo Cantarino, e fazem alusão ao fato que dentre os pertences permitidos aos judeus encaminhados aos campos de concentração estavam uma colher e um prato, mas eles eram proibidos de levar facas. A quantidade dos artefatos simboliza o ano de ascenção de Hitler ao governo alemão. Ela imagina que a instalação vá causar bastante impacto na exposição. "Pode ser que cause polêmica, mas acho ótimo. É um trabalho que prega a tolerância e ter a chance de mostrá-lo na Alemanha é extremamente importante", acredita.
Susi também chama atenção para o fato de que a suástica, originalmente, é um símbolo de boa sorte. Estudiosa de mitologia e simbologia, explica que a palavra suástica vem do sânscrito de 4.000 a.C. Representava a felicidade, a saudação, e salvação entre brâmanes e budistas. A mesma cruz foi adotada pelo hitlerismo como emblema oficial do partido nazista do 3º Reich. Na ocasião, ela sofreu uma pequena mudança para dar a impressão de que sua rotação acontecia no sentido horário.
Para Susi Cantarino, é especial que esta exposição aconteça dentro da Copa da Cultura. "Este evento está intimamente ligado à Copa do Mundo, que é uma competição amigável entre todos os povos do mundo, sem diferença de raças. E meu trabalho é sobre isso. Sobre a tolerância", afirma.
Sobre a Copa da Cultura - A Copa da Cultura é um programa de intercâmbio cultural entre Brasil e Alemanha, lançado pelo Ministro da Cultura, Gilberto Gil, em janeiro, com o objetivo de intensificar as relações entre os dois países, divulgar a "Marca Brasil" e reforçar a imagem do país no exterior. Para isso, o MinC está elaborando, em parceria com a Embaixada do Brasil em Berlim, o Instituto Goethe e a Casa das Culturas do Mundo, entre outros parceiros governamentais e não-governamentais dos dois países, uma extensa programação cultural que conta com shows de música popular e concertos de musica clássica, mostras de artes plásticas, filmes, espetáculos de dança, peças e lançamentos de livros, entre outras ações. Ao longo de 2006 serão mais de 200 eventos de cultura brasileira com o selo Copa da Cultura, realizados em várias cidades da Alemanha para cerca de 3 milhões de alemães e de turistas que visitarem o país durante a Copa. A participação do Brasil na Copa da Cultura é coordenada por Sérgio Sá Leitão, da Secretaria de Políticas Culturais do MinC, e tem como gerente Erlon José Paschoal, também do MinC.
Outro centro importante da Copa da Cultura é a Embaixada Brasileira em Berlim, que este ano ganhou uma programação especial, com concertos de música clássica, mostra de cinema com debates, lançamentos de livros, leituras dramáticas de peças teatrais e exposições de artes. Além disso, a programação da Copa da Cultura inclui ainda o Show da Paz, em Munique, previsto para 7 de junho, com a participação de músicos brasileiros e de outros países; a DesignMai, evento que reúne designers de todo o mundo; o Festival de Teatro Brasileiro no Hebbel-Theater am Ufer (HAU), em Berlim; o festival de documentários, curtas e longas-metragens Brasil Plural, que abre as portas do mercado de língua alemã para o cinema brasileiro, previsto para Munique e mais nove cidades; e a exibição do filme “Pelé Eterno”, de Aníbal Massaini, em todas as cidades e eventos da Copa da Cultura, com dublagem em alemão, dentre outros eventos.
Copa da Cultura / Organização
Brasil: Ministério da Cultura, em parceria com o Ministério das Relações Exteriores, o Ministério do Turismo, o Ministério do Esporte, a Sub-Secretaria da Comunicação da Presidência da República, a Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (APEX) e a Embratur.
Alemanha: Casa das Culturas do Mundo e Instituto Goethe, com o apoio do Ministério das Relações Exteriores, do Ministério da Cultura e das Prefeituras de Berlim e Munique.
Informações para Imprensa
Eusébio Galvão - eusebio.galvao@newideas.com.br
Hebe Veiga - hebe.veiga@newideas.com.br
Simone Barreto - simone.barreto@newideas.com.br
|